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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sistema de Armazenamento Intermediário Visando Rede Pública de Abastecimento de Veículo Elétrico é Pesquisado pela Itaipu Binacional:

O Projeto Veículo Elétrico (VE), desenvolvido pela Itaipu Binacional em parceria com a suíça Kraftwerke Oberhasli AG – KWO, vai começar neste mês os estudos de um sistema inédito de recarga rápida, que prevê o abastecimento simultâneo de vários veículos elétricos em até 20 minutos, sem sobrecarregar a rede elétrica. Os testes serão realizados de forma incremental, buscando diminuir drasticamente os tempos de recarga. Hoje, para uma recarga completa da bateria de um VE, são requeridas oito horas de espera.

Para os testes do sistema de recarga rápida idealizado pela Itaipu e KWO será utilizada uma nova plataforma de pesquisa e desenvolvimento móvel, que foi adquirida pela Assessoria de Mobilidade Elétrica Sustentável (AM.TE) da usina. A plataforma será customizada e integrada em conjunto com a Fiamm Sonick (fabricante de baterias de Sódio - Cloreto de Níquel), dentro de um acordo de cooperação técnico e científico no segmento de armazenamento de energia em baterias avançadas.

A plataforma de pesquisa permitirá também a realização de outros estudos, como o armazenamento de energia de fontes periódicas ou não. Simultaneamente, poderá suprir energia de forma controlada, liberando a carga de acordo com a demanda – seja esta demanda oriunda de um conjunto de veículos elétricos para abastecimento ou para o suprimento de energia a pequenas comunidades, inclusive isoladas.



Smart grid:

“Com esta plataforma, alterando-se os softwares de controle, poderemos estudar o armazenamento de energia durante a noite para devolução à rede no momento do pico de consumo, aplicando os conceitos do smart grid”, explica o engenheiro Márcio Massakiti Kubo, da AM.TE.

A plataforma de testes está montada dentro de um contêiner, por uma questão de mobilidade: alguns testes serão realizados fora das instalações da Itaipu. Na configuração piloto, serão utilizadas quatro baterias de sódio de alta capacidade, da marca Zebra, que trabalharão em linha, e um sistema de monitoramento eletrônico, que poderá ser acionado remotamente.

Segundo o engenheiro, a plataforma funcionará como um grande acumulador de energia, da mesma forma que os tanques dos postos de combustível acumulam álcool, gasolina ou diesel. A principal vantagem do sistema idealizado é que ele evita que vários veículos elétricos, conectados à rede, recebam carga rápida ao mesmo tempo. Os atuais sistemas de carga rápida em estudo na Europa, China e Estados Unidos indicam a necessidade de instalações elétricas mais robustas, o que demandaria altos investimentos.

“Com os acumuladores de energia, teremos dois processos: da rede elétrica para o banco de baterias, com carga lenta; e do banco de baterias para o veículo elétrico, com carga rápida. Assim, esse banco de baterias não prejudica a infraestrutura elétrica e provê carga rápida da mesma forma como um carro convencional é abastecido em um posto de gasolina”, complementa Massakiti.


Uso rodoviário:


Segundo Massakiti, no futuro a estações baseadas neste conceito poderão estar disponíveis em postos de serviços, shoppings e até supermercados. A aplicação seria direcionada principalmente para o usuário que necessite percorrer grandes distâncias, em viagens, e não possa esperar as 8 horas de reabastecimento. Atualmente, a autonomia do veículo elétrico é de aproximadamente 150 quilômetros.

Para o uso urbano, entretanto, a recarga poderia ser feita nas próprias residências, durante a noite; ou enquanto o veículo estiver parado no escritório. Neste caso, não haveria sobrecarga – o consumo de energia para abastecer um veículo elétrico em carga lenta é equivalente ao de um aparelho de ar condicionado de 12 mil BTU (3.52 kW.h). 

“Em geral, boa parte dos veículos fica parada no mínimo 16 horas por dia em algum lugar. Os deslocamentos são para ir ao trabalho ou para casa, na hora do almoço. Basta analisar a si próprio: 80% da população têm essa característica”, comentou Massakiti. “Já as viagens são demandas esporádicas para o usuário comum e seriam atendidas por essas estações de recarga rápida”.

Comissionamento da plataforma:

Os primeiros testes com a nova estação deverão começar em maio, com a chegada a Foz do Iguaçu de um especialista da Fiamm Sonick. O profissional irá discutir e ajudar a customizar o software básico da plataforma de desenvolvimento, em conjunto com a equipe de Itaipu, ajudar a montar o equipamento e realizar o setup dos softwares de controle e comunicação, com base nas experiências em sistemas piloto de armazenamento de energia em plataformas estacionários e móveis que a Fiamm dispõe na Europa.

“Para viabilizarmos a carga rápida dos veículos elétricos, uma grande interação com o fabricante das baterias se faz necessária, visto que o sistema de controle instalado na plataforma necessita se comunicar com as baterias dos VEs em tempo real. Deste modo, a taxa de transferência de energia será elevada gradualmente, até alcançar a capacidade máxima da bateria, obedecendo critérios de segurança”, explicou o chefe da AM.TE, engenheiro Celso Novais, coordenador brasileiro do Projeto VE. “Como a carga rápida sempre provoca o comprometimento da vida útil das baterias, um estudo paralelo também será iniciado para determinarmos o melhor ponto de operação, tendo em conta tempo de abastecimento versus vida útil da bateria”, acrescentou.

Painéis solares:

A plataforma de recarga rápida dispõe ainda de painéis solares avulsos para uso externo. Porém, no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Montagem de Veículos Movidos a Eletricidade, no Galpão G5 de Itaipu, ela será integrada à rede e também acoplada a painéis solares já existentes no espaço. No segundo momento, a estação será adaptada para viajar em um caminhão, com objetivo de atender estudos e testes previstos em outras regiões. Por exemplo, para os estudos do sistema de recarga rápida para VEs, as empresas distribuidoras de energia Copel, Cemig, Light e CPFL participarão com testes nas suas instalações. Celso Novais explica que, embora a plataforma de teste tenha apenas quatro baterias, o que limita o potencial de armazenamento, para aumentar a potência, basta conectar mais baterias e ampliar o sistema.

Segundo o engenheiro, o importante não é a potência da plataforma e sim o domínio do know how do software e do hardware aplicados em sistemas de armazenamento de energia, que serão úteis para os setores elétricos do Brasil e Paraguai e, principalmente, para atender demandas da Ande (Paraguai) e da Eletrobras (Brasil) neste segmento.

“Em nossos planos prevemos realizar estudos com esta plataforma no arquipélago de Fernando de Noronha, com o objetivo de avaliar concretamente a viabilidade técnica de implantação de um grande sistema de armazenamento de energia de 4MW, com banco de baterias alimentado por fontes de energia renováveis”, comentou Novais.

Ainda segundo o engenheiro, as baterias de sódio que compõem a estação têm a mesma tecnologia das que estão sendo desenvolvidas pela FPTI em convênio com a Battery Consult e recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “É uma bateria totalmente reciclável, boa para climas tropicais e feita com materiais facilmente encontrados na natureza”, elogiou.

Fonte:


http://processo-industrial.blogspot.com.br/2012/04/sistema-permitira-abastecer-veiculos.html

(Divisão de Imprensa - Itaipu Binacional)



Baterias de Sódio - Cloreto de Níquel (ZEBRA - Zero Emission Battery Research Activity):

Como funciona: A bateria Zebra é constituída por placas positivas de Sódio e placas negativas de  positivas de Cloreto de Níquel. 0 Sódio da placa negativa formado eletro-quimicamente a partir do Cloreto de Sódio (sal comum de cozinha) quando a bateria recebe a primeira carga para formação da bateria.

Vantagens: segura e relativamente barata, possui alta densidade de energia, seu material é abundante e amigável com o meio ambiente.

Desvantagens: Para funcionar necessita de temperatura elevada (250ºC a 300ºC), devendo ser montada em caixa com excelente isolação térmica, e quando parada perde carga muito rápido.

Veículos Elétricos no Brasil: Itaipu e o Projeto VE

O Projeto VE consiste no desenvolvimento e pesquisa de veículos movidos a energia elétrica. Sediado em Itaipu, é composto por três grupos de trabalho para o desenvolvimento do Fiat Palio Weekend Elétrico (carro para uso urbano), Daily Elétrico (caminhão elétrico para pequenas cargas) e Granmini Elétrico (mini-ônibus elétrico).

A iniciativa teve início com a assinatura de um acordo internacional de cooperação técnica firmado pela Itaipu e pela Kraftwerke Oberhasli (KWO), controladora de hidrelétricas suíças em 15 maio de 2006. Desde então, reúne parcerias com a montadora Fiat, além de empresas de tecnologia, concessionárias de energia elétrica e instituições de pesquisa do Brasil, Paraguai e Suíça.

Utilizando a energia limpa e renovável de usinas hidrelétricas, o VE não emite poluentes. Por isso, pode ser considerado 100% ecológico, com forte compromisso ambiental, em consonância com a missão institucional da Itaipu, que é gerar energia elétrica de qualidade, com responsabilidade social e ambiental, impulsionando o desenvolvimento econômico, turístico e tecnológico, sustentável, no Brasil e Paraguai.

No campo acadêmico, o projeto possibilita o intercâmbio de informações e conhecimentos entre institutos de pesquisas e universidades brasileiras, paraguaias e européias, que agem como catalisadores para o desenvolvimento desta nova tecnologia. Além disso, o projeto VE proporciona a capacitação de profissionais e geração de emprego e renda.

Em 11 de Junho de 2012 a cidade de São Paulo recebeu os dois primeiros táxis elétricos do Brasil. Trata-se do modelo Leaf da Nissan. Estes estão disponíveis para passageiros, sem tarifa diferenciada, no cruzamento da Av. Paulista com a Rua da Consolação. Até o final de 2012 serão dez táxis elétricos neste ponto. Antes desta iniciativa veículos elétricos já poderiam ser vistos na Universidade de São Paulo. A USP recebeu a doação de quinze Scooters elétricas que estão distribuídas pelos Campi da Universidade.

Dentre as Universidades brasileiras a USP é a mais envolvida no tema. Além do uso de Scooters elétricas para o patrulhamento nos campi, a Universidade de São Paulo está implementando um eletroposto de carga lenta para carros elétricos. Ademais, também existe um estudo acadêmico patrocinado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) conduzido por professores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA-USP), sobre impactos socioeconômicos e sobre as perspectivas de modelos de negócios para o Veículo Elétrico na região da grande São Paulo.

O Electric Fiat 500 na América:

Por falar na parceria da Itaipu com a Fiat, cabe uma pergunta: 

Estaria a Fiat repensando os seus planos para o Electric Fiat 500 nos EUA? No fim do ano passado, havia quem acreditasse nisso. A ainda fraca demanda por carros elétricos em os EUA parecia estar levando a Fiat  a repensar para baixo as suas expectativas de vendas para uma versão elétrica de seu microcarro Fiat 500 nos EUA.

Todavia, uma resposta mais clara saiu na edição da revista veja desta semana: A montadora italiana Fiat revelou nesta terça-feira que elevará sua fatia de participação na Chrysler dos atuais 58,5% para 61,8%,. A Fiat informou ao fundo fiduciário VEBA, que detém o restante do capital da montadora norte-americana, que vai exercitar sua opção de comprar uma participação de 3,3% "nas próximas semanas".

A Fiat não informou quanto pagará pelo negócio. De acordo com a companhia, o preço das ações compradas será baseado em um "múltiplo de mercado" que considera o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) da Chrysler nos últimos quatro trimestres menos a dívida industrial líquida. Segundo fontes com conhecimento do assunto, o valor pago pela Fiat deve ficar entre 250 milhões de dólares e 300 milhões de dólares.

Nos último meses, a Fiat tornou-se dependente da Chrysler. No primeiro trimestre, o grupo teve um lucro líquido de 379 milhões de euros, enquanto o resultado somente da Fiat foi um prejuízo líquido de 273 milhões de euros. A Chrysler respondeu por mais da metade da receita de 20,2 bilhões de euros do grupo no período.

O executivo-chefe da Fiat, Sergio Marchionne, disse que a montadora tem dinheiro para comprar inteiramente a Chrysler, mas não fará isso em breve. Ao exercitar todas as suas opções de compra, a Fiat pode elevar sua participação na montadora norte-americana para até 75,1%. Para isso a companhia italiana teria de comprar uma fatia de 3,32% a cada seis meses até 30 de junho de 2016.

Eu particularmente creio que há mais ainda em jogo: creio que a Fiat está apostando num eventual sucesso de mercado do Fiat 500 BEV. Como já relatado anteriormente, o Fiat 500 elétrico é esperado para ser lançado ainda este ano, o que o tornará um modelo 2013.


É importante ressaltar que o sistema de transmissão deste veículo, totalmente elétrico, baseado na tecnologia da Chrysler em unidade elétrica modular, está sendo desenvolvido, já por vários anos, in teiramente nos EUA no Centro Técnico da Chrysler (ENVI), em Auburn Hills, Michigan. Especula-se que o preço do 500 BEV fique em torno de 40 mil dólares.


O projeto tem conseguido se manter em alto sigilo e não há muita informação técnica a respeito mas, a alimentação deve provir de um pequeno motor elétrico de potência avaliada perto de 100 CV, que é capaz de transportar o veículo a uma velocidade final entre 80 e 100 milhas/hora. 


Já se tem anunciado desde que a Fiat espera vender no primeiro ano com um prejuízo de algo em torno de US$ 10.000,00 por unidade vendida e ela alega que isso é algo como um preço a ser pago para permitir que o grupo adquira e, principalmente, teste o conhecimento adquirido, em mobilidade elétrica, além de cumprir metas de reduzir as emissões médias de seus veículos.


Inovação em Parcerias:



A Petrobras é parceira do Projeto Veículo Elétrico. “Na prática, a única coisa que é certa é a mudança; a Petrobras quer estar preparada para a mudança, e queremos contribuir com projetos inovadores como o do veículo elétrico", disse Paulo Isabel, representante da Petrobras.


Segundo Paulo, em um futuro próximo, os carros elétricos poderão estar rodando nas estradas. A Petrobrás pode oferecer sua rede de postos para abastecimento destes novos automóveis. "Queremos contribuir com nosso conhecimento e infraestrutura na área de energia”, concluiu.


Segundo o governo brasileiro, nós já nos tornamos auto suficientes em produção de petróleo há alguns anos. Nos EUA, as grandes companhias petrolíferas se tronaram os suspeitos número um em "Quem Matou o Carro Elétrico?", quando estes tiveram a sua primeira bolha de mercado, no final dos anos 90. Portanto, fica a pergunta: O que será que a Petrobras espera lucrar com os carros elétricos além do fato de que temos a expectativa de podemos passar a exportar combustíveis, mesmo sem precisar aumentar a produção?


De qualquer forma, os veículos elétricos precisarão, também, de rede de abastecimento (BR).

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